26.8.08

Informar

É com grande satisfação que a APAI vê confirmados os primeiros apoios à CNAI'08. E é também com a satisfação da sociedade em geral (creio!)...
A 3ª Conferência Nacional de Avaliação de Impactes conta já com o apoio de diferentes entidades.


Finalmente existe empenho visível para com o ambiente e a avaliação de impactes em Portugal.

Consultar: CNAI'08

1.7.08

A dita neurose nacional manifesta-se assim?!

Podem orgulhar-se os arqueólogos! Cada vez que surgem questões inter pares, aqueles que desenvolvem o seu trabalho com vista à preservação dos vestígios e do conhecimento sobre o passado, resolvem e saneiam no imediato todos os problemas, a bem do objectivo que lhes dirige a vontade! Não importa se estão numa autarquia ou se estão numa empresa ou numa outra entidade. Na verdade coage-os sempre um respeitável princípio: a promoção da identidade colectiva! Bonito de se ver.

Há poucos meses atrás aconteceu a história de um proprietário que viu a sua obra embargada pelo arqueólogo da autarquia. Ficou perplexo, uma vez que tinha arqueólogo na obra e este, o arqueólogo contratado numa empresa, tinha enviado à entidade de tutela todo o processo inerente ao serviço e tinha já autorização verbal para desenvolver os trabalhos de acompanhamento. Aliás, várias vezes contactou a entidade de tutela a confirmar a autorização. Mas a obra parou. Parou e estacou vários meses. E ficou parada mesmo depois de se receberem todos os ofícios necessários. Mas com certeza foi muito melhor assim. Há que fazer o povo gastar dinheiro! E amostra-se a vã cobiça e a vã glória de mandar!

E fantochadas destas acontecem pelo país inteiro. Ora o arqueólogo dali, ora o arqueólogo daqui, ora o arqueólogo que não tem poiso, ora, ora… Mas, afinal, com que linha é que nos cosemos? Onde pára o espaço de acção de um e onde começa o espaço do outro? Onde está a verdade última, aquela que devemos seguir? Onde está escrito o que é de César e o que não é? Será que nunca mais se percebe a palhaçada que é não decidirem o que é mais importante e qual a tarefas de cada um e que exigência devem fazer ao coitado do poluidor pagador que tem que pagar o que é de todos?!

Blogs e chats e jornais e rádios e reuniões e barulho. Até onde seguem com estas desavenças?

4.5.08

A Atenção do Arqueólogo





Mesmo reconhecendo que há arqueólogos que acreditam numa arqueologia de campo onde a técnica esteja separada da interpretação, o certo é que, cremos, todos têm a noção de que a nossa mente apenas representa cópia do mundo. A complexidade e interactividade dos processos cognitivos, como a atenção, a percepção e a memória são confirmadas se considerarmos que nem sempre vemos o que está à nossa frente ou percebemos o que os olhos vêem.
Afinal, que estímulos condicionam a focagem da nossa atenção, num contexto de escavação arqueológica ou acompanhamento arqueológico? Com certeza que a percepção de um conhecimento prévio de experiências passadas, relevantes para a situação em causa, fomentam no cérebro o processo iniciado com a actuação sensorial.
Segundo o cognitivismo o indivíduo sujeito recria o seu universo em cada acção que tem com ele. Devemos então estar cientes de que não percebemos tudo o que se passa à nossa frente. Ora, se é verdade que a mente permanece cega para os estímulos não seleccionados, também é verdade que se procuramos um estímulo específico, não veremos outros ângulos.
Então, temos que ter consciência de que em arqueologia um sujeito, mesmo embebido de todas as teorias e conhecedor de todas as técnicas e métodos, não pode agir sozinho! Se pretendemos defender um trabalho científico, temos então que reconhecer a subjectividade de cada um e um maior rigor científico na confirmação intersubjectiva!

JOU, G. I. (2006). Atenção Selectiva: um estudo sobre a cegueira por desatenção. IN www.psicologia.com -O portal dos Psicólogos.

25.4.08

O Verdadeiro Poder

Está ultrapassado o tempo em que se acreditava que a natureza se devia submeter ao poder da Razão humana, hiperbolizando-se o conhecimento objectivo e científico. Está ultrapassado o tempo em que se acreditava que alguns iluminados poderiam trazer a solução para os problemas que envolvem e dizem respeito a todos os entes (sociais).
Hoje, uma vez que todas as pessoas são (ou deveriam ser), ao mesmo tempo, dotadas de poder e sofredoras da sua acção, um consenso social derivante da Acção Comunicativa, como a defendeu Habermas e um entendimento recíproco, parecem-no o único um caminho possível para fortalecer a transformação necessária na esfera da arqueologia.
O verdadeiro domínio da situação iniciar-se-ia com a dissecarcação dos conceitos inerentes à actividade, atingindo, forçosamente, todos os indivíduos envolvidos. Apenas desta forma a sociedade se ajuntaria e procuraria proteger o que reconhecia. Assim, todos, cada um com o seu contributo, participariam na produção de conhecimento sobre o património, resultante de uma dialéctica constante entre trajectórias individuais e operadores colectivos, guardando-se, assim, elementos do passado colectivo.


CHEVITARESE, L. (2001). As razões da Pós Modernidade. IN Analógos. Anais da I SAF-PUC. RJ
GUILLAUME, M. (2003). A política do Património. Campo das Ciências, Porto.
GONÇALVES, M. (1999). Teoria da ação comunicativa de Habermas: Possibilidades de uma ação educativa de cunho interdisciplinar na escola. IN Educação & Sociedade, ano XX, nº 66, (Abril), pp. 125-140, [em linha], 2007, http://www.scielo.br/pdf/es/v20n66/v20n66a6.pdf [consultado em 2007-08-02]



P.S- E Já lá vão 2 Anos...

15.4.08

"Condições Laborais na Arqueologia: balanços e perspectivas"

Arqueólogos querem ordem ou sindicato

Cerca de 40 arqueólogos defenderam, ontem, em Coimbra, a criação de uma ordem ou sindicato mais representativo do sector. Quantos arqueólogos trabalham e como trabalham, foram as questões sobre as quais reflectiram os profissionais da arqueologia num debate organizado pela Secção de Arqueologia do Ateneu de Coimbra.

Licínia Girão. JN de 13.04.08.
Leia mais em
http://jn.sapo.pt/2008/04/13/sociedade_e_vida/arqueologos_querem_ordem_sindicato.html

19.3.08

Post-processualism, professionalization and archaeological methodologies. Towards reflective and radical practice

In recent years the gap between archaeological theory and practice has been closing, but although there have been calls for ‘reflexivity’, there has been little critical examination of its meanings. Proposed reflexive methodologies still perpetuate many traditional hierarchies of power, and fail to consider the creative nature of excavation and post-excavation. Much archaeological work in Britain, Europe and North America also takes place within the commercial sphere, and post-processual ideas cannot advance archaeological practice unless they can be implemented in contract archaeology. This paper examines theoretical considerations of reflexivity, representation, subjectivity and sensual engagement to highlight their relevance to everyday archaeological practice, and their political potential to undermine existing hierarchies of power within commercial archaeology.

11.3.08

Exposições

Max Weber refere o Estado como responsável pela organização e controle social. Maquiavel define Estado como a sociedade política com regras que facilitam a convivência de seus membros. Finalmente, a ideologia democrática defende a equação Estado = povo ="interesse público". É nesta equação que nos queremos apoiar.
Há duas semanas atrás, o ministro da cultura relatou na TSF que a futura actuação do governo prevê um maior envolvimento de diferentes entidades e da sociedade civil nas suas actuações. Advoga a necessidade de fortalecer a cultura, importante bastião da coesão nacional, da identidade nacional.
Neste ponto é importante aclarar que não podemos abranger a sociedade se esta não se mantiver formada, informada e sensibilizada; depois sim pode ser realmente responsabilizada, chamada a intervir e a actuar. Por outro lado o governo precisa de saber o que a sociedade necessita, o que é benéfico. E isso deve fazê-lo auscultando as entidades representativas, informadas, que possam então fazer a ligação entre o Estado e o todo social. Mas, no que toca à Arqueologia, o Estado nem tão-pouco consulta quem quer que seja.
No Debate, o arqueólogo J. Arnaut aclarou que a entidade a que pertence, a AAP, teve representação junto dos antigos IPPC e IPPAAR, mas já não no período de vigência do IPPAR e IPA… e continua referindo as dificuldades inerentes e sequentes à aprovação do PRACE, aprovado pelo Governo através da Resolução do Conselho de Ministros n.º 124/2005, de 4 de Agosto. Na verdade o IGESPAR ainda nem sequer “arrancou” e nas Direcções Regionais pode existir confiança política, mas confiança técnica…
No mesmo Debate admitiu-se a rapidez de mudança ocorrida nos últimos tempos. Esta criou, crermos, mais dualidades e não houve preocupação em articular a arqueologia científica/programada e a de emergência. E este ponto é essencial para que o novo período mantenha os pés bem assentes nos conceitos primeiros da disciplina (considerando a técnica a metodologia e a teoria).

O retorno social, mesmo concordando com J. Bugalhão quando referia que a produção científica é o que devemos à sociedade, não cremos que este seja desenvolvido na maior parte do país, na maior parte das intervenções e por todos os arqueólogos. E ademais, mesmo assim: será que a sociedade recebe, entende? Sendo ela formada por indivíduos com diferentes formações e aptidões…
O IPA possibilitou a desenvoltura da legislação europeia em Portugal ou a legislação europeia trouxe uma ajuda para que o IPA continuasse a luta que o IPPC e outros já travavam antes… na verdade o que foi feito ou quem o fez, tampouco importa! É preciso é que se faça mais. E são os arqueólogos das diferentes entidades (públicas e privadas) que têm que analisar o que está mal, fazer e exigir que se faça melhor.
Continuamos a achar que a arqueologia dita preventiva se confunde com a arqueologia de emergência em vez de se aproximar da arqueologia programada e “mais científica”. Disse-se no Debate que o acompanhamento arqueológico, pouco claro na legislação vigente, produz muito conhecimento… pois então é altura de o esclarecer e aceitar que se deve escavar o menos possível e que se torna imperioso aproximar a nossa arqueologia de emergência daquela programada para que não se percam tantos dados. E se o Estado deve apoiar a investigação, que apoie a arqueologia de emergência para que esta se transforme numa arqueologia similar à preventiva e a preventiva caminhe para perto da programada e “mais científica”!

Porque os 700 a 800 arqueólogos do país são muitos sujeitos e diferentes, torna-se necessária a autoregulação por meio de uma Ordem e o investimento numa formação de activos. O problema dos arqueólogos, ou os vários problemas, não se resumem a uma necessidade de lutar pelos direitos, mas passam primeiro pela apreensão das questões éticas e deontológicas inter pares, pela consciência de que pertencemos a um grupo de sujeitos que estuda um mesmo objecto. Depois sim, pertencendo a esta ou àquela entidade, estando neste ou naquele cargo criamos o tal sindicato. Porque não é nobre de todo, nem beneficia a boa arqueologia… fazer trabalhos a baixo preço mata a fome no momento, mas beneficia o flagelo da miséria!
E siga uma fiscalização capaz. Mais centrada ou mais descentralizada, conforme os meios, conforme a coordenação e a articulação. Porque é bom descentralizar e estar mais perto da área de acção, mas também são precisos meios e uma boa articulação com o centro e uma boa coordenação.
É preciso confiança e diálogo. Apesar do que não temos... não podemos baixar a testa e acobardar-se. Tal como referia L. Raposo: não há que ter vergonha porque muito se tem feito.
E muito se há-de ainda fazer...


DEBATE= primeiro Debate organizado pela Almadan